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Marcos Almeida apresenta releitura de “O Vencedor”, sucesso da banda Los Hermanos

Depois de pedir paciência e um pouco de água para matar a sede, Marcos Almeida canta que faz o

Marcos Almeida apresenta releitura de “O Vencedor”, sucesso da banda Los Hermanos

Depois de pedir paciência e um pouco de água para matar a sede, Marcos Almeida canta que faz o melhor que é capaz só pra viver em paz em sua nova música “O Vencedor”. Escrita por Marcelo Camelo, a faixa foi gravada originalmente em 2003 pela banda Los Hermanos no álbum “Ventura”.

Na nova versão, o músico mineiro contou com a produção musical assinada por Wanderson Lopez, que buscou inspiração nos Beatles, mais precisamente no famoso “Álbum Branco”, que nasceu após uma viagem do quarteto para a Índia, onde John Lennon e companhia brincam com a ideia de paz.

– Trouxemos o sarangi e a cítara, instrumentos muito presentes nessa linguagem de espiritualidade e também bem aceitas pela linguagem pop e que fluiu naturalmente nos arranjos. Tem uma mudança harmônica, de uma ponte que era em tom menor e passou para maior, e retiramos os metais. Ficou bem ousada. Ao mesmo tempo que existe um desejo de reverenciar e homenagear esses mestres, a gente “meteu o louco” e fez um arranjo muito original – explica Marcos.

Grande apreciador da música genuinamente brasileira, Marcos Almeida ressalta que a forte influência do Los Hermanos, tanto em sua antiga banda Palavrantiga quanto em sua carreira solo, foi a principal motivação para que ele gravasse “O Vencedor”. A faixa é o terceiro single a integrar o projeto “Canções Para Morar em Tempos Difíceis”.

– Lembro-me de um show deles que ouvi na Rádio 98 (BH) e que fiquei bastante impactado com as melodias, com a força do rock n’roll e com aquela retomada da mistura que os Novos Baianos fizeram entre o rock e a música brasileira, trazendo para mim, como músico, um grande desafio fazer essa releitura. Primeiro porque é uma banda bem dedicada com cada parte do arranjo, com uma legião de fãs bem devotos e que encerrou atividades recentemente. Então ousamos recriar esses arranjos e trazer para dentro do meu vocabulário com a ajuda do Wanderson Lopez – detalha o artista.

Marcos Almeida ainda destaca que todas as “Canções Para Morar em Tempos Difíceis” passam por alguns critérios.

– Antes de tudo, a música precisa ter essa transpiração poética do esperancês, e “O Vencedor” tem muito. Ela é profética, um protesto do rock contra a ideia de um triunfalismo e uma meritocracia anti-esperança que adoece muito as pessoas hoje. Passa pelo conteúdo, pela memória afetiva de ter marcado o início do Palavrantiga. Emclusive tem um vídeo circulando na internet há mais de dez anos, onde a gente, junto a banda Crombie tocou de um jeito bem espontâneo e informal, tornando-se então uma dívida com esses ouvintes que me acompanham desde aquele tempo – declara o músico, que explica que cada canção representa uma linguagem que tem como base o esperancês, “que é essa linguagem poética que consegue, em meio à dor, antever coisas boas”.

CANÇÕES PARA MORAR EM TEMPOS DIFÍCEIS

Apesar das três canções gravadas por Marcos Almeida serem de artistas distintos – “Paciência” (Lenine), “Tenho Sede” (Gilberto Gil) e “O Vencedor” (Los Hermanos) – todas falam e cantam sobre a falta – a falta de paciência, a falta de água, a falta da pessoa e a falta de paz – e a esperança que está muito relacionada com essa alta e com o desejo.

– Naturalmente, a gente vai encontrando diálogos possíveis entre as canções. Então, elas se conversam muito e dá para fazer um filme, inclusive, está em pauta a continuidade daquele primeiro filme de “Paciência” para falarmos também da questão da água, do desejo, da questão romântica e da questão da meritocracia, que já mencionei, dialogando uma com a outra e retratando os dramas humanos contemporâneos – afirma.

E são esses dramas humanos em busca de um lugar de refresco, do recanto do guerreiro que pontuam “Canções Para Morar em Tempos Difíceis”. 

– O conceito de “Canções Para Morar em Tempos Difíceis” surgiu a partir da ideia do “recanto do guerreiro”. Um lugar de refresco, um pomar, um solo fértil onde a gente planta árvores importantes para o nosso ecossistema e que protegem a todos. Onde podemos construir a casa da árvore, estender redes, instalar balanços. É um lugar lúdico, um lugar de descanso e proteção, onde o repertório e a canção brasileira tornam-se um refúgio em tempos complicados, aqueles que todos nós, em algum momento, passamos.

De acordo com Marcos Almeida, o projeto está dividido em dois blocos, sendo o primeiro formado por “Paciência”, “Tenho Sede”, “O Vencedor” e, em breve, “Juízo Final”, de Nelson Cavaquinho, que será lançado em março. Para o segundo bloco, o cantor pretende lançar mais quatro canções ainda neste ano, além de uma turnê focada nessas recriações, mas conversando com seu repertório autoral.

– A música pode fazer muita coisa, mas ela não é tudo. Para passar por tempos difíceis, você precisa de amigos, da sua família e de relacionamentos substanciais. Precisa cuidar do corpo, fazer exercícios físicos, boa alimentação. Cuidar de suas emoções, da alma, fazer terapia. Tudo isso é bom, mas o ápice de tudo é a mesa, o encontro com pessoas que você ama, com pessoas que cuidam de você, com pessoas que são cuidadas por você e vão trazendo de volta o sentido para passarmos por tempos difíceis. Na música chamamos isso de harmonia – encerra Marcos Almeida, que acredita que é possível unir espiritualidade e criatividade sem perder de vista “que a arte é um dom, uma dádiva e por isso deve ser transmitida e fluir como um rio”.

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Rafael Ramos

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