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Em seu álbum de estreia, “Deus Me Fez Vencedor”, Ezequias Garcia nos mostra sua profunda conexão com as raizes da música gospel. Confira nossa crítica

Em seu álbum de estreia “Deus Me Fez Vencedor”, lançado em 2018 de forma independente, Ezequias Garcia apresenta um

Em seu álbum de estreia, “Deus Me Fez Vencedor”, Ezequias Garcia nos mostra sua profunda conexão com as raizes da música gospel. Confira nossa crítica

Em seu álbum de estreia “Deus Me Fez Vencedor”, lançado em 2018 de forma independente, Ezequias Garcia apresenta um trabalho promissor, transcendendo os limites do gênero em um mergulho nas raízes do estilo Black & Music em uma abordagem autêntica. A obra é uma coleção de 10 faixas autorais, cada uma carregada de profundidade emocional e uma composição especial de Tangela Vieira, adicionando uma dimensão única ao projeto.

Produzido por Wesley Machado, ao longo da obra, vemos uma combinação de arranjos meticulosamente trabalhados, letras profundas e uma interpretação apaixonada por parte de Ezequias. Sua voz emotiva nos guia por uma jornada espiritual, enquanto as influências de cantores norte-americanos do gênero se fazem presentes, proporcionando uma experiência musical singular e inspiradora.

Foto divulgação

 

A faixa de abertura, “Pra Te Adorar”, revela uma introdução sutil, com um piano e melodia delicada, que gradualmente dão lugar a arranjos crescentes à medida que a canção se desenvolve, característica típica do estilo Black & Music. Escrita pelo próprio Garcia, canção transmite uma devoção palpável e uma conexão profunda com a espiritualidade, enquanto seus versos reflexivos, carregada de reverência e gratidão, destaca-se como um dos pontos fortes da abertura.

Os drives vocais do cantor são habilmente empregados, conferindo a intensidade necessária à música. No entanto, o backing poderia ter sido mais proeminente para complementar a performance de Garcia, embora a faixa cumpra sua proposta de forma eficaz.

Como carro-chefe do álbum, “Pra Te Adorar” demonstra uma compreensão consciente de sua estrutura e função. Ela se destaca como uma apresentação teatral íntima, sugerindo um vislumbre do que está por vir sem revelar completamente o conteúdo restante do álbum. Esse aspecto cria um pano de fundo aprazível que permeia toda a obra, mantendo os ouvintes engajados e curiosos ao longo da jornada musical do intérprete.

“Quem Disse”, abre com uma introdução poderosa, onde a bateria e a guitarra se combinam para criar uma atmosfera intensa e envolvente. Essa introdução pesada estabelece o tom para a música, preparando o terreno para a mensagem de esperança que está por vir. A fusão de elementos do Black & Music com uma produção contemporânea resulta em uma experiência auditiva satisfatória.

Ao longo da música, a frase “quem disse” é utilizada em pontos-chave, destacando a incredulidade e desespero que são desafiados pela mensagem de fé e superação. Enquanto isso, o backing vocal surge timidamente, ainda que com maior frequência comparado a faixa anterior, adicionando uma camada extra de profundidade emocional à performance de Garcia, enfatizando ainda mais a mensagem de que a vitória é possível, mesmo nos momentos mais sombrios.

Combinando arranjos bem trabalhados, uma performance vocal cativante e uma mensagem de esperança e fé, faixa autoral é uma verdadeira obra-prima que ressoa com o ouvinte e o inspira a acreditar no poder da superação e da intervenção de Deus.

A faixa “Fala Comigo” abre com uma introdução intimista, estabelecendo imediatamente uma atmosfera de contemplação e oração. É evidente que a música é uma expressão autoral do cantor em busca de uma conexão mais profunda com Deus, um sincero pedido de ajuda e orientação. A produção cuidadosa de Wesley Machado permite que a voz de Garcia seja o foco principal, enquanto o backing vocal é utilizado com parcimônia, emergindo apenas onde necessário para enfatizar os momentos de maior impacto emocional.

Destaca-se também a ponte guiada pela guitarra, que serve como uma transição habilmente executada para o segundo corpo da canção. Esta técnica não apenas adiciona dinamismo à composição, mas também realça a habilidade dos músicos envolvidos no projeto.

A faixa-título, “Deus Me Fez Vencedor”, é um testemunho de resiliência e fé, possivelmente a música mais intimista e marcante do projeto. Destaca-se pela voz naturalista do cantor, que inicialmente é acompanhada por arranjos minimalistas, evidenciando a emoção crua e a sinceridade da mensagem, retratando a jornada de alguém que superou adversidades. A letra, escrita pelo próprio Garcia, é emotiva e inspiradora, narrando a transformação de um indivíduo que, apesar de ter perdido tudo, encontra esperança em Deus.

Conforme a composição avança, somos envolvidos por uma variedade de arranjos que surgem de todos os lados, de forma positiva, ampliando a profundidade e o impacto da música. Essa transição habilmente executada ressalta a habilidade de Garcia em criar uma atmosfera envolvente e dinâmica, mantendo a essência do Black & Music enquanto incorpora influências contemporâneas na produção.

Com essa abordagem, o cantor demonstra sua versatilidade, resultando em uma experiência auditiva rica para os ouvintes. Essa faixa não apenas ilustra a jornada pessoal de superação do cantor, mas também serve como um ponto alto do álbum, destacando sua promessa como um talento emergente no cenário da música gospel contemporânea.

Ezequias apresenta uma rica fusão de influências do Black & Music, evidenciadas pelos arranjos trabalhados em cada faixa. Em especial, a faixa número 5, “O Segredo é Adoração”, mergulha na busca por milagres e na fé inabalável, temas tão característicos da música gospel no geral.

É notável o talento do cantor tanto na interpretação quanto na composição autoral, como visto nesta faixa. A letra transmite uma mensagem de perseverança e devoção, destacando a importância da adoração como o segredo da vitória. Ao abraçar temas universais da fé e da busca por milagres, faixa rouba a atenção no álbum e merece muitos replays, proporcionando uma experiência auditiva gratificante em seus acordes.

“Rio de Deus” demonstra uma abordagem única ao estilo Black & Music, incorporando elementos distintivos das produções americanas, especialmente aquelas associadas à cena de Nova Orleans, berço da música cristã e do estilo que intérprete adotou para o álbum. Os arranjos pesados, caracterizados pelo uso proeminente de guitarra e baixo, adicionam uma camada de profundidade e intensidade à música, refletindo uma influência marcante do soul.

A guitarra, com seu timbre distinto e riffs marcantes, adicionando uma dimensão extra de emoção e groove à faixa. Enquanto isso, o baixo cria uma base sólida e envolvente para a música, impulsionando o ritmo e adicionando uma sensação irresistível com pequenas paradinhas comumente utilizadas nesse estilo de produção.

“Questão de Tempo” começa de forma íntima e emocional, com uma introdução delicada que apresenta apenas piano e a voz cativante do intérprete. Essa abordagem quase acústica cria uma atmosfera íntima e pessoal, permitindo que a mensagem da faixa penetre profundamente nos ouvintes.

À medida que a música avança, os arranjos cuidadosamente trabalhados começam a se desdobrar, adicionando riqueza à experiência auditiva. Um coral de fundo entra, elevando ainda mais a intensidade da faixa. A música parece ganhar vida, pulsando com uma energia contagiante que envolve o ouvinte em um abraço sonoro reconfortante.

Antes de explodir no refrão poderoso, há uma quebrada íntima, onde a música diminui o ritmo, permitindo um momento de reflexão e contemplação. É nesse momento que a voz de Ezequias Garcia ecoa nos graves, adicionando uma dimensão adicional de profundidade e emoção à música.

Quando o refrão finalmente chega, é como se toda a espera e antecipação culminassem em um momento de gloriosa exaltação. Os vocais poderosos e a instrumentação vibrante se unem para criar um clímax arrebatador que ressoa na mente do ouvintes, deixando uma impressão duradoura de esperança e fé.

“Áos Teus Pés”, a oitava faixa do álbum, Garcia, em sua estreia como cantor, mostra-se habilidoso em transmitir sua devoção através de letras autorais. Sua voz transmite uma emotividade genuína, amplificando a mensagem de rendição e entrega aos desígnios divinos.

Faixa é uma ode à humildade e à busca pela presença de Deus, onde o eu se dissolve em reverência ao Sagrado. A composição, rica em metáforas e simbolismo, convida o ouvinte a refletir sobre a importância da submissão e da adoração na jornada espiritual, cada nota e acorde são cuidadosamente selecionados para complementar a profundidade emocional da letra, criando uma experiência sonora envolvente.

Em “Esperança”, única composição não autoral de Ezequias, música destaca-se pela forma como o cantor abusa e ousa nos graves em uma faixa com pegada pentecostal, escrita por Tangela Viera, unindo o estilo raiz da música gospel com uma pegada atual, tecendo palavras que ressoam com a esperança e a promessa de um amanhã melhor. Sua habilidade de explorar e dominar os registros mais profundos de sua voz adiciona uma camada extra de intensidade à música.

Ezequias Garcia demonstra um controle vocal impressionante, navegando pelos graves com confiança e entrega, o que eleva a experiência auditiva a outro patamar. Esta escolha vocal audaciosa não apenas enriquece a sonoridade da faixa, mas também ressalta a versatilidade e o talento do cantor.

O álbum é uma obra envolvente que mergulha nas raízes do estilo Black & Music, com influências marcantes de produções e músicos americanos. A faixa “Usa-me” é um destaque que demonstra a habilidade do cantor em transmitir sua devoção através de letras profundas e emotivas.

Os arranjos do álbum são notavelmente bem trabalhados, proporcionando uma experiência auditiva rica e cativante. O produtor Wesley Machado merece reconhecimento por seu papel na criação de uma atmosfera sonora que complementa perfeitamente a mensagem das músicas.

Ezequias, em seu álbum de estreia, demonstra uma maturidade artística impressionante, tanto em sua performance vocal quanto em sua capacidade de compor letras que tocam a alma. Sua entrega apaixonada na faixa “Usa-me” evidencia sua devoção e comprometimento com sua arte e fé.

A letra autoral da música é uma profunda expressão de entrega e rendição a Deus, refletindo a busca por servir e adorar de todo o coração. Ezequias, como compositor, consegue transmitir emoção e sinceridade através de suas palavras, criando uma conexão autêntica com o ouvinte.

Em resumo, “Usa-me” é uma poderosa adição ao álbum, destacando-se não apenas pela qualidade dos arranjos musicais, mas também pela profundidade e relevância de sua mensagem espiritual.

“Tua Presença”, a última faixa do álbum, mergulha profundamente na mensagem de dependência de Deus e busca por sentido na vida. A letra, escrita pelo  próprio cantor, é uma expressão genuína de devoção, destacando sua habilidade como compositor em transmitir emoções autênticas.

A produção musical do produtor eleva a experiência auditiva, com arranjos habilmente construídos, proporcionam uma atmosfera envolvente que complementa perfeitamente a profundidade da letra.

“Tua Presença” é uma poderosa reflexão sobre a importância da presença divina na vida do cantor e, por extensão, na vida do ouvinte. Com uma combinação de letras tocantes, arranjos bem executados e uma interpretação sincera, esta faixa serve como uma conclusão poderosa para um álbum que celebra a fé e a vitória espiritual.

 

O álbum ao todo se destaca não apenas pela sua coesão musical, mas também pela consciência do artista sobre sua mensagem e influências. Desde a faixa de abertura até a última canção, há uma clara intenção por parte de Garcia em transmitir uma mensagem de fé, superação e devoção, características fundamentais da música gospel, e isso mostra uma compreensão profunda de seu propósito artístico.

Ao longo do álbum, é evidente a forte influência de cantores americanos do gênero, como Kirk Franklin, Marvin Sapp e Fred Hammond, cujas abordagens musicais e líricas deixaram uma marca indelével na obra do intérprete. Essas influências se manifestam não apenas nos arranjos cuidadosamente elaborados, mas também na entrega emocional e na profundidade das letras.

Além disso, a produção do álbum, sob a orientação de Wesley Machado, merece destaque pela forma como complementa a voz e a mensagem do cantor. A variedade de instrumentação utilizada refletem não apenas a qualidade técnica, mas também o comprometimento em criar uma experiência auditiva imersiva e envolvente para o público.

No entanto, ao seguir uma linha musical tão específica e influenciada, há o risco de limitar o apelo do álbum a um público mais restrito, composto principalmente por aqueles que compartilham das mesmas influências e gostos musicais. Embora essa coesão seja uma demonstração de consistência artística, pode também restringir o alcance do álbum a uma audiência mais ampla, que talvez esteja em busca de uma variedade de estilos e temas.

Em última análise, “Deus me fez vencedor” é uma obra que reflete não apenas a habilidade e o talento de Ezequias Garcia como artista, mas também sua profunda conexão com sua fé e sua herança musical. É um testemunho de sua jornada espiritual e uma promessa de mais grandes realizações no cenário da música gospel contemporânea.

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Gilcinei

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